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POP UP
por Alexandre Inagaki
Jorge Luis Borges, em seu conto A Biblioteca de Babel, descreve um universo composto de infindáveis galerias repletas de prateleiras contendo simplesmente todos os livros possíveis de serem concebidos. Um desafio e tanto para a imaginação de qualquer incauto, que conteria, resgatando alguns exemplos criados por Ítalo Calvino em seu romance Se Um Viajante Numa Noite de Inverno, os "Livros Que Todo Mundo Leu e é Como Se Você Também Os Tivesse Lido", os "Livros Que Você Sempre Fingiu Ter Lido e Que Você Decidiu Que é Hora de Lê-Los Pra Valer", os "Livros Que Se Você Tivesse Mais Vidas Pra Viver Certamente Leria de Boa Vontade, Mas Infelizmente os Dias Que lhe Restam Não São Tantos Assim", etc. etc. Há quem compare a Biblioteca de Babel à internet, por ela se assemelhar a um caderno quase infinito de páginas virtuais nas quais você encontra tudo e mais um pouco. Um bom exemplo é The Invisible Library , catálogo online de livros imaginários: são obras não-escritas, não-lidas e não-publicadas, que foram meramente citadas dentro de outros livros. Douglas Adams, que antes de escrever os cinco volumes do Guia do Mochileiro das Galáxias foi roteirista do grupo de humor Monty Python, é um dos principais autores citados pelo site, graças a obras inventadas, como Tudo Que Você Nunca Quis Saber Sobre Sexo, Mas Lhe Forçaram a Aprender e o Ultra-Completo Dicionário Maximegalon de Todos os Idiomas Existentes. Meu livro fictício predileto, dentre os muitos que vi no Invisible Library, foi imaginado por Neil "Sandman" Gaiman: O Thriller Romântico de Espionagem Que Eu Costumava Imaginar Dentro do Ônibus, Que Venderia Um Bilhão de Cópias e Faria Com Que Eu Nunca Mais Tivesse Que Trabalhar. Porém, há um outro título que preciso citar aqui, até pra ver se algum leitor da PIX também se deparou com essa bizarrice. Num balcão de saldos de balanço de uma Bienal do Livro, julgo ter visto um volume de contos espíritas supostamente psicografados do espírito de Nélson Rodrigues, com o título de A Vida Como Ela Ainda é Depois da Morte. O livro realmente existe, ou fui ludibriado por alguma ilusão borgiana?
Alexandre Inagaki
é jornalista, torcedor do Guarani Futebol Clube e (ir)responsável por um blog localizado em www.pensarenlouquece.com
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